9.4.07

Não deixe a água parada

Pois é, não morri, mas quase isso: peguei dengue.
Dói tudo. Respirar dói, andar dói, deitar dói, enfim, fazer qualquer coisa é extremamente dolorido, até mesmo não fazer nada é, mas já passou e aqui estou. Fui à faculdade hoje, normalmente, e fui pro estágio também. Voltei pra dureza. Hoje foi o dia inteiro no Fórum, super cansativo, ficar descendo e subindo aquelas rampas indo de vara em vara retirar processo pra xerocar, maldita vida de escraviária. Mesmo assim, eu estou gostando de trabalhar nesse escritório em que eu estou, eu me motivo com coisas desafiadoras. Não que ficar pegando processo pra tirar cópia seja uma tarefa das mais complicadas, mas eu tenho uma limitação, que é o fato de eu não enxergar bem e, mesmo sabendo disso, os advogados do meu escritório me contrataram e me botam pra fazer coisas que eu talvez preferisse não fazer, pois seria mais fácil pra mim dizer "eu não posso fazer isso, porque eu não enxergo". É que eu ainda reluto muito em falar pras pessoas que eu tenho dificuldade em ver uma coisa, só falo mesmo quando não tem mais jeito, porque as pessoas logo mudam quando ficam sabendo que você tem uma deficiência, acham, sei lá, que você é algum tipo de pobre coitada que deve ser tratada como uma criança que não consegue se limpar sozinha. Quando eu tenho que ler alguma coisa em um processo saco logo da bolsa minha mega lente de aumento e fico quieta fazendo o que tenho que fazer, não me importa que os outros pensem que sou maluca, mas sempre vem um se oferecer pra ajudar, pra ler pra mim, como se eu não fosse capaz de ler sozinha, isso me irrita e me envergonha, eu sei que não deveria ser assim. É por isso tá sendo muito boa pra mim esse experiência no Fórum, pra eu conseguir lidar melhor com essa minha mania de achar que todo mundo acha que eu sou limitada, pra eu aprender a aceitar ajuda, porque mesmo que as pessoas às vezes tenham um excesso de cuidado desnecessário comigo, elas só querem facilitar as coisas pra mim. É simplesmente aceitar ajuda quando eu precisar de ajuda, sem me acomodar.

31.3.07

Das cinzas

Não é à toa que o relógio dá voltas. Nos começos e recomeços da vida as coisas acontecem, passam e novas fases, novos ciclos, se iniciam. O ínicio que sucede um fim, chegará a um fim que dará início a uma coisa nova, e assim o tempo passa e as coisas mudam.

Esse diário foi vítima do desenrolar de duas vidas paralelas, e acabou esquecido, mas não acabou de fato. Gustavo, milhas distante da costa, trabalha e não tem mais seu tempo livre de estudante na Itália. Julia, decidiu adiantar sua vida para poder ver as coisas acontecerem, literalmente falando, e casou. Então, o ponto de encontro dessas duas vidas paralelas, esse blog, ficou abandonado às moscas, mais por falta de minha presença do que da dele, assumo, por isso toma a iniciativa de "recomeçar" a escrever, mas nós dois nos esquecemos de nosso pequeno espaço em comum.

Aqui o ano começa hoje!

25.10.06

Vendo o tempo passar

Nunca percebi meus outros sentidos mais apurados, como dizem que tem as pessoas deficiente visuais. Acho que isso se deve ao fato de eu ainda não o ser de fato, sou uma aspirante ainda, mas tenho que admitir que já fui bem menos aspirante.

Cheguei a essa conclusão de um jeito meio inusitado, em uma passeio no shopping. Pra ser mais precisa, em passeio nas Lojas Americanas. Cheguei cedo pro cinema, e resolvi comprar umas balas pra comer durante o filme, acabou que perdi horas na parte de brinquedos da loja.

Fazia muito, mas muito tempo que eu não ia na parte de brinquedos de um loja. Eu, como qualquer criança serelepe, quando pequenininha, saia correndo direto pra lá e perturbava muito meus pais pra comprar pelo menos alguma coisa pra mim. Bons tempos em que eu encontrava a felicidade em uma prateleira... Mas eu cresci. E tendo crescido nunca mais "perdi meu tempo" com a sessão de criança.

As Barbies continuam as mesmas, poucas novidades. Hoje em dia elas tem umas roupas mais bonitas e detalhadas, um acessório ou outro diferente, mas no geral pouca diferença pra minhas velhas Barbies que eu tenho em uma caixa perdida em alguma armário aqui de casa. Só elas mesmo. Porque o resto mudou tudo. Eu ainda nem fiz 21 anos de idade e fiquei impressionada como os brinquedos estão mais legais. É engraçado, eu senti a mesma coisa que eu sentia quando era uma criança, uma vontade de experimentar tudo, apertar todos os botões, ter todas aquelas coisas. Ou a gente não cresce na vontade de brincar ou fui eu que não cresci mesmo. Só sei que os trinta minutos que eu passeei sozinha no meio daquele mundo foram surpreendentemente bons.

Ah, é. Eu tava falando dos sentidos. Pois então, depois que eu eu paguei as balinhas no caixa encontrei minhas amigas na parte de cosméticos da loja. Elas estavam todas animadas porque acharam uma creme de corpo genérico da Victoria Secret's por R$ 12,00. O de morango com champagne era igualzinho mesmo, até comprei um pra mim, até agora não deu coceira nem nada. Fui ver se tinha mais algum que salvava e me surpreendi com a gama de opções. Aí que me dei conta de que estou mais aspirante do que eu era antes. Primeiro, pelo fato de eu não conseguir ler qual era o cheiro na embalagem e depois pelo fato de eu adivinha exatamente qual era o cheiro que o creme tinha. Mas o engraçado dessa história é que a descrição do cheiro no produto era muito diferente do cheiro que ele tinha e eu acertava em cheio qual era o cheiro de verdade. As duas meninas que estavam comigo ficaram impressionadas, porque elas não consiguiam perceber o cheiro, mas depois que eu falava viam que era exatamente aquilo. O de morango com chantilly tinha cheiro de Danoninho, o de baunilha tinha cheiro de Amaretto, o de erva-doce tinha cheiro daqueles sobonetinhos de hotel e o de pêssego tinha um cheiro muito enjoativo de maçã verde.

O tempo passa. To vendo (!) a hora que eu não vou mais puder usar o computador...

4.10.06

Espero que não seja preciso mais mil visitas para eu escrever outra vez nesse blog...

Pois é, eu sumi. E não há dia melhor para voltar a escrever com freqüencia aqui do que hoje, que passamos de mil visitas. Tudo bem que pelo menos 50% dessa visitas são minhas mesmo, que sempre entro pra ver se alguém (leia-se Gustavo) atualizou isso aqui.

Tem épocas que eu abandono tudo. Não sei se sou só eu (ih, olha a aliteração!), mas às vezes eu sou tomada por uma vontade incontrolável de não fazer nada. Tudo fica de lado para minha preguiça tomar conta de mim. Faculdade, estágio, leitura, academia, blogs, nada disso tem a menor importância... Depois eu fico igual a uma louca atrás do prejuízo, mas, por enquanto, pra minha sorte, isso ainda não se mostra tão necessário.

É bom que nessa fase eu to só curtindo as amigas, o namorado novo, o sol que bate o dia inteiro na piscina aqui de casa... Tem muito tempo que não me sinto tão feliz. Acho que às vezes eu tenho esses colapsos porque eu sou muito certinha a maior parte do tempo. Aí dá nisso, oito ou oitenta.

Hum, acho que to me prolangando demais na justificação de minha ausência, vocês já entenderam que eu sou uma preguiçosa que largou o blog na mão do Gu porque sabia que ele não ia deixar isso aqui morrer. Tá aí uma coisa que eu admiro em você, Gustavo, você termina o que começou e não desiste. Eu que sou uma desleixada.

E o que eu acho legal é que esse blog serviu pra unir a gente, fez a gente ter um ponto de encontro fixo, uma coisa mais concreta. Quando eu leio o que você escreveu aqui, ou quando eu escrevo aqui, os sei lá quandos quilometros que nos separam parecem muito mais curtos. E isso me deixe muito feliz.

Parabéns pra gente, Gu. E que esse post seja marque minha volta aqui!

26.8.06

Um pouco de cultura inútil...

Uma pesquisa do jornal australiano Sydney Morning Herald relacionou algumas das síndromes mais estranhas que atingem o ser humano. Podem parecer mentira, mas para cada uma dessas doenças existe um batalhão de médicos tentando descobrir a causa. E principalmente a cura.
Por Marcelo Bortoli (Superinteressante)

10.CEGUEIRA EMOCIONAL

A expressão "cego de emoção" existe na prática, e pode acontecer com qualquer pessoa normal. O problema foi descoberto recentemente por pesquisadores da Universidade de Yale, nos Estados Unidos. Depois de olhar para alguma imagem forte, principalmente com conteúdo pornográfico, a maioria das pessoas perde a vista por um curto espaço de tempo - décimos de segundo na verdade. Até agora, nenhum especialista conseguiu explicar o porquê dessa reação.A descoberta da cegueira emocional deu origem a um movimento no Congresso americano para que seja banida toda a publicidade com apelo erótico em grandes rodovias do país.


9 SÍNDROME DA REDUÇÃO GENITAL

Também conhecido como koro, esse distúrbio mental deixa a pessoa convencida de que seus genitais estão desaparecendo. A maioria dos casos até hoje foi relatada em países da Ásia ou da África, e em muitos deles a síndrome parece ter sido contagiosa! Um dos episódios mais estranhos ocorreu em Cingapura, em 1967, quando o serviço de saúde local registrou centenas de casos de homens que acreditavam que seu pênis estava sumindo.

Um único caso da síndrome da redução genital foi registrado até hoje no Brasil, no Instituto de Psiquiatria da USP. Convencido de que seu pênis estava sumindo, o doente tentou se matar com duas facadas no abdômen!


8 SÍNDROME DE RILEY-DAY

Se você já sonhou em nunca mais sentir nenhuma dor, cuidado com o que pede... As vítimas dessa doença não sentem dores, mas isso é um problemão. Elas ficam muito mais sujeitas a sofrer acidentes porque param de registrar qualquer aviso de dano nos tecidos do corpo, como cortes ou queimaduras. A doença é causada por uma mutação no gene IKBKAP do cromossomo 9 e foi descrita pela primeira vez pelos médicos Milton Riley e Richard Lawrence Day. Sem o aviso de perigo que a dor proporciona às pessoas comuns, a maioria dos doentes com a síndrome de Riley-Day tende a morrer jovem, antes dos 30 anos, por causa de ferimentos.


7 SÍNDROME DE COTARD

Depressão extrema, em que o doente passa a acreditar que já morreu há alguns anos. Ele acha que é um cadáver ambulante e que todos à sua volta também estão mortos. Em casos extremos, o sujeito diz que pode sentir sua carne apodrecendo e vermes passeando pelo corpo... Na fase final, a vítima deixa até de dormir e sua ilusão pode efetivamente se tornar realidade. O nome da doença faz referência ao médico francês Jules Cotard, que a descreveu pela primeira vez em 1880.

Apesar de depressivo e certo de que está morto, o doente, contraditoriamente, também pode apresentar idéias megalomaníacas, como a crença na própria imortalidade.


6 MALDIÇÃO DE ONDINA

O nome bizarro é uma referência a Ondina, ninfa das águas na mitologia pagã européia. A doença, mais estranha ainda, faz com que as vítimas percam o controle da respiração.

Se não ficar atento, o sujeito simplesmente esquece de respirar e acaba sufocado! A síndrome foi descoberta há 30 anos e já existem cerca de 400 casos no mundo. Pesquisadores do hospital Enfants Malades, de Paris, acreditam que a doença esteja relacionada com um gene chamado THOX2B. O sistema nervoso central se descuida da respiração durante o sono e o doente precisa dormir com um ventilador no rosto para não ficar sem ar!


5 PICA

Esse nome também estranho não tem nada de pornográfico: pica é uma palavra latina derivada de pêga, um tipo de pombo que come qualquer coisa. E a pica a síndrome, é claro... faz exatamente isso: a pessoa sente um apetite compulsivo por coisas não comestíveis, como barro, pedras, tocos de cigarros, tinta, cabelo... O problema atinge mais grávidas e crianças. Após comerem muita porcaria involuntariamente, os glutões ficam com pedras calcificadas no estômago.Em 2004, médicos franceses atenderam um senhor de 62 anos que devorava moedas. Apesar dos esforços, ele morreu. Com cerca de 600 dólares no estômago...


4. SÍNDROME DE ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS

Doença que provoca distorções na percepção visual da vítima, fazendo com que alguns objetos próximos pareçam desproporcionalmente minúsculos. O distúrbio foi descrito pela primeira vez em 1955, pelo psiquiatra inglês John Todd, que o batizou em homenagem ao livro de Lewis Carroll. Na obra, a protagonista Alice enxerga coisas desproporcionais, como se estivesse numa "viagem" provocada por LSD. As vítimas da síndrome também vêem distorções no próprio corpo, acreditando que parte dele está mudando de forma ou de tamanho.


3. SÍNDROME DA MÃO ESTRANHA

"Minha mão agiu por conta própria..." Essa desculpa usada por alguns cafajestes pode ser verdadeira. A síndrome em questão alien hand syndrome, em inglês faz com que uma das mãos da vítima pareça ganhar vida própria. O problema atinge principalmente pessoas com lesões no cérebro ou que passaram por cirurgias na região. O duro é que o doente não presta atenção na mão boba, até que ela faça alguma besteira. A mão doida é capaz de ações complexas, como abrir zíperes... Os efeitos da falta de controle sobre a mão podem ser reduzidos dando a ela uma tarefa qualquer, tarefa qualquer, como segurar um objeto.


2 SÍNDROME DE CAPGRAS

Após sofrer uma desilusão com o cônjuge, com os pais ou com qualquer outro parente, a pessoa passa a acreditar que eles foram seqüestrados e substituídos por impostores. O sintoma por vezes se volta contra a própria vítima: ao se olhar no espelho, ela também acredita que está vendo a imagem de um farsante. Neurose total! O problema tende a atingir mais pessoas a partir dos 40 anos e suas causas ainda não são conhecidas. A síndrome foi descoberta pelo psiquiatra francês Jean Marie Joseph Capgras, que a descreveu pela primeira vez em 1923. Em graus mais extremos, a vítima acha que até objetos inanimados, como cadeiras, mesas e livros, foram substituídos por réplicas exatas.


1 SÍNDROME DO SOTAQUE ESTRANGEIRO

Após sofrer uma pancada ou qualquer outro tipo de lesão no cérebro, as vítimas desse distúrbio passam a falar com sotaque francês... ou italiano... ou espanhol. A língua varia, mas, na maioria dos casos, as vítimas desconhecem o novo idioma. Segundo cientistas, a pronúncia não é efetivamente estrangeira, só dá a impressão disso. Pesquisadores da Universidade de Oxford, na Inglaterra, acreditam que o sintoma é causado por um trauma em áreas do cérebro responsáveis pela linguagem, provocando mudanças na entonação, na pronúncia e em outras características da fala. Um caso bem recente da síndrome do sotaque rolou com a britânica Lynda Walker, no mês passado. Após um infarto, Lynda acordou falando com sotaque jamaicano.

24.8.06

Um dia de paz.

Fui hoje fazer minha inscrição, muito humildemente, de sandália de dedo e saia jeans. Estava na fila esperando a minha vez, como sempre, e percebi uma movimentação estranha nas escadarias dos salão principal. Pessoas muito bem vestidas, ternos impecáveis, austeras. Até ai nada estranho, coisa comum em faculdade de Direito, sempre há congressos, seminários, como em qualquer outra faculdade, só diferenciados pela formalidade das indumentárias dos senhores doutores excelências que participam.

Feita a inscrição (9 disciplinas, o limite de créditos, esse semestre eu vou ralar...), estou saindo da faculdade e tomo um grande susto. Duas viaturas da Polícia Militar paradas na porta da faculdade, com oficiais empunhando seus rifles ou metralhadoras sei lá - nada estranho também dado que o Morro do Palácio, exatamente ao lado da faculdade, é um dos mais lucrativos de Niterói. Entramos assustadas e um amigo foi tentar descobrir o que estava acontecendo e se era seguro sair. Pra nossa surpresa, ele voltou com a informação de que não havia apenas duas caminhonetes da PM, mas uma Frontier da Polícia Federal, alguns policiais militares de moto, além de diversos agentes e oficiais espalhados pela rua.

A primeira coisa que pensamos foi que poderia ser algum tipo de operação para executar mandatos, dessas que aparecem toda hora no jornal, mas então, alguém ligou os fatos: "deve haver alguém importante aí".

Fui na Secretaria e perguntei para a funcionário se estava acontecendo algum evento no Salão Nobre:

- Sim, o presidente do STJ está aí.

Não demorou muito para descobrirmos mais:

http://www.noticias.uff.br/noticias/2006/08/seminario-jurisdicao-01.php

Um seminário internacional em que se encontravam o reitor da UFF, o já citado presidente do STJ e do CJF, o presidente da Assossiação de Juízes Federais do Brasil e o ministro do Tribunal Constitucional da Alemanha. Além de "autoridades judiciais da França, Portugal, Alemanha e Espanha."

Sem desmerecer a importância de cada um desses indivíduos devido aos seus notórios cargos, me pergunto se a presença deles justifica tamanha preocupação com sua segurança. Porque pelo menos uma vez por semana eu ouço falar na faculdade de alguém que foi assaltado ou teve o carro roubado, isso quando não há nenhum assassinato. Chega a ser irônico, mas quando eu estava descendo do carro hoje para fazer a inscrição um senhor falou para tomarmos muito cuidado que "ontem um carro em que estavam duas meninas da UFF foi roubado". Então, me sinto uma cidadã de segunda classe, alguém que não tem importância suficiente para justificar uma operação de guerra por minha segurança, uma pessoa que tem que se esqueirar, correr para chegar na faculdade sem ser assaltada.

Todo esse tempo que eu estudo na Faculdade de Direito da UFF, somente um dia eu me senti segura, somente um dia eu pode andar com a bolsa na mão e entrar no carro sem a neurose de procurar ao redor por "pessoas suspeitas", foi hoje. Não porque isso seja o minímo que se espera de uma sociedade de se diz pacífica, alheia à guerra, mas sim porque Vossa Excelência, o Ministro Raphael de Barros Monteiro Filho se encontrava na faculdade.

Beijos.

22.8.06

da TPM aos canhões...

Seguindo a já tradicional fórmula, comentar sobre o dia pra puxar um assunto, lá vou eu!

Comecei o dia hoje meio com o pé-esquerdo, minha mania de ligar o ventilador (eu acho o barulinho bom), somada à frente fria, me fez acordar resfriada, logo hoje que eu tinha me programado pra pegar pesado na academia pra perder os 4 kg a mais que a comida enlatada americana me deu. Isso me deu um mal-humor danado, meio incomum em mim, que eu logo associei com fatores hormonais (leia-se TPM), mas foi passando ao longo do dia, pois eu não sou de ser chata.

Eu sinceramente, já que o assunto foi tocado, até duvido da existência da TPM, pelo menos em mim, quer dizer, pelo menos eu não sei o que é isso. Acontece que se você acorda mais indisposta ou com o humor meio ruim e lembra que falta uma semana pra ficar menstruada logo liga as duas coisas, é assim que funciona comigo. Ai eu tiro uma licença pra ser grossa e ficar chata, afinal, eu estou de TPM!

Esse assunto me faz lembrar de um julgamento que eu vi em que a ré foi absolvida por que foi provocada e estava de TPM. Não me lembro onde foi que eu vi isso, nem o que ela fez, mas parece que ela teve uma crise, um colapso emocional, alguma coisa assim e cometeu um crime, e foi inocentada por ter Tensão Pré-Menstrual. Provavelmente foi nos EUA, essas jurisprudências meio malucas são sempre americanas. Quando eu estudei Direito Constitucional na faculdade tinha um ponto na ementa da disciplina que era sobre a trajetória constitucional dos EUA, ai a gente tinha que estudar os casos mais famosos, tipo caso Brown, caso Elmer, Snail Darter, etc... Aliás, pra quem se interessa pelo assunto recomendo até o livro, se chama "O Império do Direito", é de um cara chamado Ronald Dworkin, dá até pra leigo ler, bem legal. Lá nos Estados Unidos as decisões da Suprema Corte tem força de lei, então quando tem esses impasses rola a maior discussão, porque o que ficar decidido vai valer pra casos semelhantes, é a tal da jurisprudência né, lá é bastante jurisprudencial, o Direito.

Como o cérebro funciona é uma coisa que deve ser muito interessante de entender, tava escrevendo isso agora, falei em "colapso emocional", sei lá porque diabos lembrei que em inglês tem uma expressão que significa mais ou menos isso, "basket case", é mais colapso mental, mas, de qualquer jeito me fez lembrar. Pensei logo na música do Green Day, e em seguida lembrei que essa música tem os mesmos acordes de "Canon" de Pachelbel, só que com um tom diferente. Bem, a conclusão disso tudo? Lembrei de um videozinho muito bom que rola no YouTube, recomendo aos que gostam de violão, essa versão do Trace Bundy da música de Pachelbel:

http://www.youtube.com/watch?v=N9to1auUNTk

A música se estivesse em um CD, talvez não soasse tão bem como em vídeo, porque o que é mais bonito na versão é a técnica do cara, ele manda muito bem... Se minha memória não falha, o nome dessa coisa de tocar só batendo com os dedos nos trastes é "stacatto". E já que o assunto agora é música (começou com TPM, tá super coeso isso aqui né?), vai uma versão de "Canon" no piano, com a melodia original (é bem melhor a versão orquestrada, pena que não achei no YT):

http://www.youtube.com/watch?v=3f4MLDFdw8A

O tópico já virou um caos mesmo, porque não então, o clipe de "Basket Case":

http://www.youtube.com/watch?v=rhdLWwiY7-w

É isso, beijos para todos!

18.8.06

Melhor nem esquentar a cabeça com isso agora...

3:10 da manhã, estou de volta! Cheguei em torno de meia-noite, mas pergunta se as meninas que moram comigo me deixaram descansar da longa viagem com duas escalas que eu acabei de fazer. Nada. A gente tinha papo pra no mínimo ficar conversando até de manhã, mas apareceu meia caixinha de cerveja esquecida na geladeira que, junto que o meu cansaço da viagem, me fez entrar em um estado de semi-consciência de tanto sono. To aqui escrevendo com um olho só aberto - o outra já tá dormindo - porque to com saudade de escrever nesse espacinho aqui.

Pelo visto, na minha ausência, o papo já chegou até no fim do mundo, literalmente. Tanta opinião que eu tinha pra dar sobre esses seus posts tão legais, Gu, que me sinto obrigada a escrever, mesmo no estado que eu tô.

O vôo foi tranqüilo, a viagem maravilhosa. Mas sempre tem os "poréns". Dessa vez é o cartão SD da camêra digital que simplesmente sumiu. Espero que eu encontre ele perdido no bolso de alguma calça, porque perder as fotos da viagem vai ser muito ruim. Melhor nem esquentar a cabeça com isso agora...

Amanhã tenho churrasco pra ir. Despedida de uma amiga minha da faculdade. Eu chegando e ela indo, pra Nova Iorque, fazer o tal do "work experience" que todo mundo faz agora. Só quero ver se eu vou acordar. Pra mim são 22:00, horário de lá. Bota aí 12 horas de sono, no mínimo - eu to arrasada - ou seja, 10:00 de lá, mais 5 horas vai dar 15:00 daqui, só que pra mim vai ser de manhã. Ih, melhor nem esquentar a cabeça com isso agora...

Também tenho que ver quando é a inscrição de disciplinas da faculdade, que eu não fiz pela internet. Vou ter que montar meu horário olhando pra um moral enorme com o código das matérias e os horários, tendo que consultar outro mural enorme, do outro lado do salão principal, que informa o código da disciplinas. Sem levar em conta o quadro os professores e os pré-requisitos de cada disciplina, do lado do mural dos códigos. Meu Deus, melhor nem esquentar a cabeça com isso agora...

Enfim, o meu olho que sobrou acordado tá começando a fazerm uns REM esquisitos aqui. Melhor eu ir dormir agora e depois escrever tudo que eu to devendo pra esse blog. Boa noite pra mim.

Beijos.

17.8.06

Meu pequeno pitaco sobre o assunto...

Acho que esse site tem a ver com o assunto:

http://www.fastseduction.com/guide/

"If a girl ever blocks advancing the relationship by saying, 'No, let's just be friends,' say, 'No, I have lots of friends. See you later.'"

"The debate of 'nice guys vs. jerks' has been raging for quite a long time. The nature of being a 'nice guy', however, is commonly misunderstood. It is believed that being polite, considerate, friendly, tender, romantic, etc. is what being a "nice guy" is all about and thus those qualities should be avoided, as it is the 'jerk', the rude, the inconsiderate, the impolite, the rough guy who always gets the girl while the 'nice guy' is waiting outside in the pouring rain with flowers in his hand.

It doesn't mean that women prefer rude over polite, inconsiderate over considerate, etc. It all becomes clear when we look at a very important issue often overlooked when trying to define what makes the 'jerks' beat the 'nice guys' when it comes to getting the girls. It is sexuality - the 'jerks' are not afraid to show that they are sexual beings, while the 'nice guys' hide their sexuality as a part of their agenda of being friendly, polite, and courteous towards women."

Beijos.

16.8.06

Cruz credo!

Quem tá mal é o Rio... Temos que escolher um dentre as seguintes... eh... coisas:

1) Senador Sérgio Cabral Filho:

"Como Governador vou ampliar os programas do governo Rosinha [ânsia de vômito], como o Restaurante Popular, que oferece comida de qualidade por apenas 1 real."

2) Senador Marcelo Crivella:

O que dizer de alguém que é bispo licensiado (???) da Igreja Universal do Reino de Deus.

3) Deputado Federal e Ex-Juíza Denise Frossard:

Aparentemente a "moins mauvais", mas tem como vice Eider Dantas, do PFL, o secretário de obras de César Maia.

Resumindo:

Cruz credo!

15.8.06

Not so good bye...




Tá chegando a hora...
=(

14.8.06

Todo mundo tem o dever de achar que pode mudar o mundo

Diante do incontestável crescimento do crime organizado no Brasil, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, é preocupante a questão da relativização dos direitos humanos. Uma pesquisa recente do Instituto Datafolha, encomendanda tela TV Globo e pelo jornal Folha de São Paulo, mostrou que a maioria dos entrevistados (51%) se manifestou a favor da adoção da pena de morte no Brasil (42% eram contra). Tais estatítiscas demonstram que grande parte dos brasileiros acreditada que a pena capital seria útil no combate à violência. Fazendo uma pesquisa rápida por comunidades no orkut usando como palavras-chave "direitos-humanos" vemos que comunidades contra os direitos humanos "para bandidos" tem até o dobro de membros da maior comunidades de simplesmente direitos humanos. Aonde eu estou querendo chegar com isso tudo? Bem, vimos esse final de semana que o crime organizado no Brasil chegou a um novo patamar, o seqüestro de um repórter e um cinegrafista da Globo, com o objetivo de obrigar a emissora a veicular um vídeo em que os seqüestradores falavam "em nome da população carcerária de São Paulo" exigindo o fim do RDD, que "vai contra o princípio de ressocialização do preso", entre outras coisas, é uma evidência de que as facções criminosas brasileiras estão agora ao nível das piores organizações criminosas do mundo, como a máfia italiana e o cartel de Pablo Escobar.

Não quero aqui fazer um discursinho de esquerda e defender coisas que são óbvias para todos: é preciso uma ação coordenada entre as esferas de poder, já passou da hora de acabar com essas disputinhas eleitoreiras entre Estados e União. Que se decrete estado de emergência, e se emende a Constituição se for preciso para que o Exército possa atuar contra o tráfico. Que se invista em educação massivamente para parar com a "fábrica de meliantes". Isso é mais que óbvio. Mas o que me preocupa a relativização dos diretos humanos. É natural que o pensamento do população tenda a ficar mais radical com relação ao combate ao crime, é auto-defesa. Você se vê enclausurado dentro da sua casa, quando sai na rua parece que está atravessando um campo de guerra, olha pra todos os lados, atravessa a rua quando vê alguém suspeito, mesmo assim é assaltado, agredido, seqüestrado. Isso não é vida. Por isso, idéias como a "pena de morte" começam a ficar cada vez mais atraentes: "pra que ficar gastando dinheiro com esses vagabundos, porque não mata tudo logo", "na ditadura não tinha essa vergonha toda".

Acontece que a gente concentra toda a nossa raiva em pessoas que são o reflexo de um problema maior. A violência não acontece de baixo para cima, do pobre contra o rico. A raiz do problema está na corrupção, está nos deputados, senadores, juízes. Só que é muito fácil negar sua parcela de culpa nos problemas do país, ninguém lembra em quem votou pra deputado federal nas ultimas eleições, ninguém sabe dizer que projetos de lei esse deputado criou ou se o patrimônio dele cresceu durante o mandato. "Mas ninguém presta". Daí o voto nulo. "Não vou votar em ninguém, meu voto vai ser um protesto". É bem mais fácil do que entrar no site do TRE e ver a prestação de contas dos deputados.

O problema é nosso. A "pouca vergonha" é nossa. Somos nós. A lei está lá, no papel, no Código Penal, na Constituição. Mas nós não temos o dever de cumprir a lei, os outros tem. Pensamos muito nos nossos direitos e esquecemos que temos deveres. Todos tem direitos e deveres, e direitos e deveres iguais! "Ah, mas os bandidos não respeitam a lei". Que sejam presos então. Que tenham direito a um julgamento, se forem primários, cumpram em liberdade, se forem condenados fiquem na prisão para se ressocializar, e não para se especializar no crime. O cumprimento da lei, como ele existe, é mais do que suficiente para que sejamos uma democracia de fato, e não apenas no papel. O problema é que nós não elegemos pessoas boas o suficiente para fazer isso.

Beijos.

11.8.06

From Neverland to Wonderland

Em tempo, Lewis Carroll, autor do clássico "Alice no País das Maravilhas" era matemático.

10.8.06

"Gratia gratiam parit"

Boa é aquela do James French. Que sugeriu a manchete do jornal para o dia seguinte à sua morte:

"French Fries"

Obs.: James French foi condenado a morte na cadeira elétrica e executado em 1966, nos EUA.

As Aventuras de Holden Caulfield

Pois é, quem não tem a famosa "Síndrome de Peter Pan". O meu querido companheiro de blog, por ser da área de exatas, pode ser que não tenha lido esse clássico, mas muitas vezes, quando eu to me sentindo meio assim... com muitas resposabilidades, eu dou uma relida em "Catcher in the Rye", em português, "O Apanhador no Campo de Centeio", de Jerome D. Salinger. Tentei achar uma versão ebook pra colocar aqui, mas não consegui =(
O livro ficou muito famoso com a morte de John Lennon, pois foi encontrado com seu assassino ou alguma coisa assim. Conta a história (estória é muito feio), de Holden Caulfield, um adolescente rebelde que vive uma verdadeira odisséia quando é expulso, pela enésima vez, de uma escola, e tem que se virar pra voltar pra casa e contar pros pais. A influência desse livro na cultura do EUA é muito grande, há várias referências a ele em outras obras literárias e em filmes. Simon and Garfunkel, por exemplo, pensaram em se nomear "Catchers in the Rye".

Mas voltando à história, a característica mais interessante de Holden é seu desejo íntimo de proteger crianças, de maneira que ele simplesmente não enxerga a criança que ele é. Ele acredita que é adulto, mas o que ele está fazendo é negar a proteção e a ajuda que ele precisa. Olhem só o trechinho:

"Anyway, I keep picturing all these little kids playing some game in this big field of rye and all. Thousands of little kids, and nobody's around - nobody big, I mean - except me. And I'm standing on the edge of some crazy cliff. What I have to do, I have to catch everybody if they start to go over the cliff - I mean if they're running and they don't look where they're going I have to come out from somewhere and catch them. That's all I do all day. I'd just be the catcher in the rye and all. I know it's crazy, but that's the only thing I'd really like to be."

A metáfora aqui é muito legal. Holden se imagina entre um campo de centeio cheio de crianças brincando (que representa a infância) e um penhasco (que representa a maturidade). A função dele é ser o apanhador, "the catcher in the rye", o cara que vai ficar salvando todas as criancinhas de cairem no abismo da vida adulta. Não por acaso, sendo o apanhador no campo de centeio, ele está tentando se livrar de se tornar adulto ;)

Se você não leu esse livro Gu, recomendo que você pegue ele o quanto antes na biblioteca da sua faculdade pra ver se você se conforma melhor com essa necessidade de "se encaminhar", como seus amigos. Eu já comprei minha passagem só de ida pra "Terra do Nunca" há muito tempo...

Right back where we started from!

São um pouco mais que oito da manhã aqui, perdi o sono, tá tudo mundo dormindo ainda. Ontem a noite eu não fiz nada, fiquei aqui na casa do meu amigo. A família dele é um amor, todos muito simpáticos e prestativos. Ficamos conversando na varanda até bem tarde, o maior intercâmbio cultural. Descobri várias coisas legais e fiquei impressionada como eles se interessavam pelo Brasil. Acho que por aqui ser um lugar onde há mais latinos, inclusive bastante brasileiros, as pessoas são um pouco menos alienadas. A pergunta mais estranha que eu tive que responder foi da filhinha mais nova, de 9 anos ("É verdade que no Carnaval pode andar pelado na rua?"), no que todo mundo riu bastante, sinal de que era só ela que tinha essa dúvida.
Por falar nisso descobri que aqui pertinho, em Long Beach, no terceiro domingo de Setembro tem um tal de Brazilian Street Carnival. Acho que o nome é auto-explicativo né, é uma espécie de mini-carnaval brasileiro que fazem por lá. Pena que eu vou embora antes de poder ver isso.
Hoje eu vou conhecer algumas praias daqui. Em termos de praia isso aqui é um mundo. To até com um link legal aqui das principais praias do condado de Los Angeles:

Los Angeles County Beaches

Vou ficar por aqui por enquanto, mais tarde eu posto de novo.
Beijos para todos (todos?!).
(=

P.S.: Aliás, não tem musiquinha mais a ver com o momento (to tirando onda mesmo, são minhas férias!)

Phantom Planet - California

We've been on the run
Driving in the sun
Looking out for #1
California here we come
Right back where we started from

Hustlers grab your guns
Your shadow weighs a ton
Driving down the 101
California here we come
Right back where we started from

California!
Here we come!

On the stereo
Listen as we go
Nothing's gonna stop me now
California here we come
Right back where we started from
Pedal to the floor
Thinkin' of the roar
Gotta get us to the shore
California here we come
Right back where we started from

California!
Here we come!

Beijos!